sábado, 3 de junho de 2017

Três Níveis de Conhecimento



Três Níveis de Conhecimento

"Existem três tipos de conhecimento ou informação que nós obtemos. Um é através dos cinco sentidos. Ao ver, você obtém conhecimento, ao sentir o cheiro, você obtém informação, e através do paladar e do tato você obtém informação. Os cinco sentidos te trazem conhecimento, não é? A maior parte do seu conhecimento é adquirida através dos cinco sentidos. Este é um tipo de conhecimento.

O segundo é através do intelecto. O conhecimento adquirido através do intelecto. A ciência é conhecimento adquirido através do intelecto.

Perceba, o que você vê através dos olhos é que o sol está se pondo, mas o que você aprende através da ciência é que o sol não se põe. É a Terra que gira. Você não viu a Terra girando através de nenhum dos seus cinco sentidos, mas através do intelecto você entende que a Terra está girando, e que está girando em torno do sol.

Digamos que você coloque uma caneta em um copo de água; o que você vê? Você vê que a caneta está inclinada. Essa é a percepção, mas o intelecto diz que não, a caneta não está inclinada, uma ilusão de ótica. Este é o conhecimento através do intelecto. Estes dois níveis de conhecimento são muito inferiores a um terceiro nível, isto é, conhecimento intuitivo. É o conhecimento que vem do espírito, que surge a partir do silêncio da alma, da chama que queima o coração; é sentir além de todos sentidos. Não pode ser verificado através dos sentidos primários ou do intelecto. O conhecimento que está á frente desses dois está em outro nível de conhecimento. A vida começa quando exploramos esse terceiro nível de conhecimento; dentro do tempo de nossa existência.

Então, como você poderia explorar esse terceiro nível de conhecimento? O nível de conhecimento que não é através dos sentidos primários ou do intelecto é a questão. Para isso você tem que deixar para trás o conhecimento dos sentidos 'prováveis' e do intelecto. No momento em que você os deixa para trás, os paradigmas e padrões 'consideráveis' é ultrapassado.

Então os conceitos, julgamentos e decisões intelectuais de tudo o que você diz conhecer tornam-se claramente mecanizados e ultrapassados.

Todos esses conhecimentos adquiridos por mero acúmulo de informações: abandone-as, e então o silêncio se inicia. Quando o silêncio começa, o conhecimento do terceiro nível desperta e esse conhecimento é chamado de Gnose. O verdadeiro conhecimento que está à frente do intelecto, é o conhecimento intuitivo.

Você sente na alma a sabedoria que te queima e que está além dos sentidos primários e do conhecimento cognitivo.

E o que acontece? Às vezes você vai além do seu intelecto. O seu intelecto está dizendo uma coisa, mas seu instinto está dizendo outra coisa. Sua intuição diz ‘não, há algo diferente, algo mais’. E você ignora isso e se prende ao intelecto. É por isso que por mais que pense saber a verdade, nada mais vê do que limitação.

Às vezes, você percebeu, e deu um passo além de seus julgamentos, e ficou feliz por isso. Em vez de o seu intelecto dizer ‘não’, outra coisa diz ‘sim’. Alguma outra coisa dispara e é isso que acontece quando há fé, e é aí que surge a fé. Às vezes sua mente diz ‘Não, eu quero parar de fazer essas práticas espirituais, não me importo com isso’. Muitas pessoas fazem isso, tentam parar, mas algo lá no fundo, as impressões, samskaras, bons Karmas fazem com que continuem, e então voltem ao caminho. E então ficam felizes. Elas sentem “Que bom que eu não desisti, não agi por impulso”. Quantos já passaram por isso?

São momentos em que algo além de seu intelecto assumiu o comando, e funcionou. Trata-se dos níveis de conhecimento intuitivo, sabedoria que esta além do intelecto.

Como explicar isso a alguém? É um grande problema. É muito difícil dizer a alguém “Ah, existe um nível além da sua lógica”. Se você disser isso, vão achar que você é louco, ou que está negando o intelecto, mas não é nada disso. Você não está louco nem negando o intelecto. Você simplesmente dá um passo além e reconhece algo como 'maior', além... Esta é a área a partir da qual todo o cosmos trabalha. Todo o conhecimento no cosmos está presente ali.

Cada invenção para o bem, aconteceu a partir dessa área. A invenção intuitiva inicial vem daí. Então o intelecto atua nela e a desenvolve ainda mais. Todos que fazem boas poesias ou músicas vêm dessa área, cada um deles!

Portanto, um benefício prático disso é que agora você entende que o seu intelecto é crítico, é mecânico e ultrapassado e você não depende mais tanto dele. Entendeu?"

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Você já parou para pensar que existe...




Zíbia Gasparetto: Você já parou para pensar que existe...
Você já parou para pensar que existe uma realidade muito maior do que nossos olhos conseguem enxergar? Como a própria tecnologia da ciência moderna tem revelado, o mundo invisível é maior e mais atuante do que imaginamos.
O “milagre” das ondas do rádio, da televisão e das transmissões por satélite encurtando as distâncias na comunicação nos faz imaginar quantas coisas ainda estão para serem descobertas neste maravilhoso universo em que vivemos.
Estamos mergulhados num oceano de energias regidas por leis naturais, que nos sugerem a existência de uma inteligência superior.
Ela nos criou e, com sabedoria, manifesta seu propósito por meio de leis que, apesar de invisíveis, agem em prol do progresso. Está na hora de superarmos o preconceito e buscarmos entender qual o propósito que esse ser superior – Deus, Jeová, seja qual for o nome que você lhe der – tem e para o qual estamos sendo conduzidos pela vida.
Você é única, eu também. Não existe duas pessoas iguais. Qual o objetivo dessa diversidade? Limitados em nossos cinco sentidos, como poderemos descobrir o que estamos fazendo aqui, de onde viemos e para onde vamos? Tais perguntas, que têm sido feitas desde que o homem começou a pensar, precisam ser respondidas. É chegado o momento em que a vida está revelando seus segredos. Mas, segundo dizia Jesus, só “para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.”
Desde o começo da nossa Era, os espíritos desencarnados se manifestam, interferindo na vida das pessoas. A Bíblia – o livro mais antigo e vendido do mundo – é uma coleção dessas manifestações; relata tanto as comunicações dos espíritos elevados como dos mais ignorantes.
Os espíritos superiores nos falam que fomos criados à semelhança de Deus e somos espíritos eternos. Nascemos ignorantes, mas com um potencial imenso dentro de nós, a fim de que tenhamos o mérito de conquistar a sabedoria ao desenvolver nossa consciência.
Nosso destino é, na medida que tomamos conhecimento da realidade, trabalharmos a favor da vida, contribuindo para a melhoria das pessoas e da sociedade como um todo, nos tornando úteis e nos integrando aos propósitos divinos. Dessa forma é que alcançaremos uma vida melhor e poderemos desfrutar de todo o bem que Deus nos destinou.
Portanto, está na hora de você se esforçar para sair do negativismo e da inversão dos valores em que nossa sociedade vive. Ela plantou em sua cabeça convicções que não são verdadeiras e limitam seu desempenho – afinal, é de acordo com elas que você age.
Melhore seu senso de realidade, sentindo o que vai em seu mundo interior. Ele lhe revelará sua verdadeira vocação, posicionando-a no seu verdadeiro lugar. Confie no que sente. Não confunda as emoções, que refletem as falsas crenças aprendidas, com seus verdadeiros sentimentos. Com treino e firmeza, logo saberá diferenciar uma coisa da outra.
Lembre-se de que é um espírito eterno e que dentro de você há um grande potencial (que é de sua responsabilidade desenvolver) que representa o preço para a conquista da sua paz e da sua felicidade.
Informe-se sobre as modernas descobertas da ciência, busque o autoconhecimento, trabalhe a favor da vida, aprecie a beleza em todas as suas formas. Dê a si mesma todo o bem que puder e sempre valorize o bem alheio, pois é nele que atraímos todas as coisas boas que desejamos, conquistar. Experimente e verá!

sábado, 15 de abril de 2017

Sobre o Crime e o Castigo



Então, um dos juízes da cidade avançou e disse, Fala-nos do Crime
e do Castigo.

E ele respondeu, dizendo;
É quando o vosso espírito vagueia pelo vento que vós, solitários e indefesos,
fazeis mal aos outros e também a vós mesmos.
E pelo mal que fazeis devereis bater à porta dos abençoados e esperar.
O vosso eu interior é como o oceano;
Permanece para sempre imaculado.
E, tal como o etéreo, só ergue os seres alados.
O vosso eu interior é como o sol;
Não conhece os esconderijos da toupeira nem procura as tocas da serpente.
Mas o vosso eu interior não habita sozinho dentro de vós.
Muito em vós ainda é humano, e muito não o é.
Mas um pigmeu disforme que caminha sonâmbulo no nevoeiro à procura do
seu próprio despertar.
E é do homem em vós que agora irei falar.
Pois é ele e não o vosso eu interior, nem o pigmeu no nevoeiro que conhece o
crime e o castigo do crime.

Muitas vezes vos ouvi falar daquele que comete um crime como se não fosse
um de vós mas um intruso no vosso mundo.
Mas digo-vos que, tal como os santos e os justos não se podem erguer mais
alto do que o mais alto que existe em cada um de vós, também os maus e os
fracos não podem cair mais baixo do que o mais baixo que existe em vós.
E tal como uma simples folha só amarelece em conjunto com toda a árvore,
Também aquele que comete um crime não o pode fazer sem a anuência
secreta de todos vós.

Como numa procissão, caminhais juntos em direção ao vosso eu interior.
Vós sois o caminho e os caminhante e quando um de vós cai, cai por aqueles
que vêm atrás, para os avisar da pedra que encontraram no caminho.
E cai por aqueles que vão à sua frente, que, embora mais rápidos e seguros,
não estão livres de tropeçarem na mesma pedra.
E notai que, embora a palavra vos pese no coração:
O assassinado não está isento de responsabilidade pelo seu próprio
assassínio, e o roubado não está isento de culpas por o ter sido.
O justo não está inocente dos feitos do malvado, e o que tem as mãos limpas
não está limpo dos atos do culpado.
Sim, o culpado é por vezes vítima do ofendido.
E ainda mais vezes é o portador do fardo dos inocentes e retos.
Não podeis separar o justo do injusto e o bom do mau;
Pois eles andam juntos ante a luz do sol, tal como juntos são tecidos os fios
brancos e negros
E quando o fio negro quebra, o tecelão examina todo o tecido e também todo
o tear.

Se algum de vós trouxer a julgamento a mulher infiel, que também pese o
coração do marido e meça a sua alma.
E que aquele que quiser flagelar o ofensor olhe para o espírito do ofendido.
E se algum dá vós punir em nome do que é justo e cortar com o machado a
árvore do mal, deixe então que se vejam as raízes;
E encontrará as raízes do bom e do mau, do que dá frutos e do que não dá,
entrelaçadas no coração silencioso da terra.

E vós, juízes, que quereis ser justos, que condenação ireis dar àquele que,
embora honesto de corpo, é um ladrão de espírito?
Que castigo ireis dar àquele que flagela a carne e também flagela o espírito?
Como procedereis com aquele que nos seus atos é falso e opressor, mas que,
no entanto, é também enganado e oprimido?
E como ireis punir aqueles cujos remorsos são maiores do que os crimes que
cometeram?
Não será o remorso a justiça que é administrada pela própria lei que quereis
servir?

No entanto, não podereis impor o remorso ao inocente, nem arrancá-lo do
coração do culpado.
Subitamente, à noite, ele convocará os homens para que olhem para si
próprios.
E vós, que deveis entender a justiça, como o podereis fazer a menos que
olheis para os factos à plena luz?
Só assim sabereis que o ereto e o caído são um único homem no crepúsculo
entre a noite da sua pequenez e o dia da sua espiritualidade, e que a pedra mãe
do templo não é mais alta que a mais funda pedra dos seus alicerces.


Gibran Kahlil Gibran

sábado, 8 de abril de 2017


 Como as emoções negativas formam o corpo de dor - Eckhart Tolle

No caso da maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos, o pensamento acontece em nós.

“Eu penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece. A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar.

O termo oriental para isso é carma. O ego não é apenas a mente não observada, a voz na cabeça que finge ser nós, mas também as emoções não observadas que constituem as reações do corpo ao que essa voz diz. A voz na cabeça conta ao corpo uma história em que ele acredita e à qual reage. Essas reações são as emoções.

A voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem-estar do ser. Quase todo corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo – a ameaça vem da mente.

O que é uma emoção negativa? É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso. Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja – tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante.

Até mesmo a medicina tradicional, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca nos encontramos.

Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: infelicidade. Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que chamamos de “corpo de dor”.

O “corpo de dor” não consegue digerir um pensamento feliz. Ele só tem capacidade para consumir os pensamentos negativos porque apenas esses são compatíveis com seu próprio campo de energia. Não é que sejamos incapazes de deter o turbilhão de pensamentos negativos – o mais provável é que nos falte vontade de interromper seu curso.

Isso acontece porque, nesse ponto, o “corpo de dor” está vivendo por nosso intermédio, fingindo ser nós. E, para ele, a dor é prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos.

Nos relacionamentos íntimos, os “corpos de dor” costumam ser espertos o bastante para permanecerem discretos até que as duas pessoas comecem a viver juntas e, de preferência, assinem um contrato comprometendo-se a ficar unidas pelo resto da vida. Nós não nos casamos apenas com uma mulher ou com um homem, também nos casamos com o “corpo de dor” dessa pessoa.

Pode ser um verdadeiro choque quando – talvez não muito tempo depois de começarmos a viver sob o mesmo teto ou após a lua-de-mel – vemos que nosso parceiro ou nossa parceira está exibindo uma personalidade totalmente diferente. Sua voz se torna mais áspera ou aguda quando nos acusa, nos culpa ou grita conosco, em geral por uma questão de menor importância.

A essa altura, podemos nos perguntar se essa é a verdadeira face daquela pessoa – a que nunca tínhamos visto antes – e se cometemos um grande erro quando a escolhemos como companheira. Na realidade, essa não é sua face genuína, apenas o “corpo de dor” que assumiu temporariamente o controle. Seria difícil encontrar um parceiro ou uma parceira que não carregasse um “corpo de dor”, no entanto seria sensato escolher alguém que não tivesse um “corpo de dor” tão denso.

O começo da nossa libertação do “corpo de dor” está primeiramente na compreensão de que o temos. É nossa presença consciente que rompe a identificação com o “corpo de dor”. Quando não nos identificamos mais com ele, o “corpo de dor” torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim, não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles.

Na maioria dos casos, ele não se dissipa imediatamente. No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia. A energia que estava presa no “corpo de dor” muda sua frequência vibracional e é convertida em “presença”.

O que podemos fazer:

1. Você não é seus pensamentos. Você é a consciência por trás dos pensamentos. Pensamentos costumam ser negativos e dolorosos, ansiando e temendo algo no futuro, queixando-se sobre algo no presente ou revendo uma questão do passado. No entanto, os pensamentos não são você; eles são uma construção do ego. A consciência de seus pensamentos é o primeiro passo para a liberdade.

2. Apenas o momento presente existe. Que é onde a vida é (na verdade é o único lugar onde a vida pode verdadeiramente pode ser encontrada). Tornar-se consciente do “agora” tem o benefício adicionado que chamará a sua atenção longe de seus pensamentos (negativos). Aprecie agora plenamente seu mundo externo e tudo o que você está enfrentando. Olhar e ouvir atentamente. Dar atenção aos pequenos detalhes.

3. Aceitar o momento presente. É a resistência ao momento presente que cria a maioria das dificuldades em nossa vida. No entanto, a aceitação não significa que você não pode tomar medidas para regularizar a situação em que você está. O importante é a resistência à queda, para que você seja o momento, e que qualquer ação surge da consciência mais profunda e não de resistências. A grande maioria da dor na vida de uma pessoa vem de resistência ao que é.

4. Observe o corpo de dor emocional. Anos de padrões de pensamento condicionado, individualmente e coletivamente, resultaram em reações emocionais habituais com uma aparente personalidade própria, cheias de calor e razão aparente. Atacamos porque nos sentimos atacados. Durante “ataques de dor emocional”, podemos tornar-nos completamente identificados com essa identidade de “dor” e responder a partir de sua agenda – o que é criar mais dor para nós mesmos e outros. Observando o corpo de dor criamos a consciência para podermos separar esta identificação inconsciente com a dor do momento que estamos passando por algo constrangedor, doloroso ou trágico. Este corpo de dor nos ataca quando menos esperamos, mas ele pode ser reconhecido e transformado!”

Eckhart Tolle

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