domingo, 21 de abril de 2019

A ressurreição é a resposta de Deus para a crucificação



Caminhando pelo centro de São Paulo, ao passar pelo largo de São Francisco, num impulso suave e inspirado entrei na igreja do Santo dos pobres e dos animais. Vivíamos a Semana Santa. Deixando-me envolver pela doce paz presente na igreja, sentei-me e olhando o belo local, deixei o pensamento voar.
Algumas vezes já entrei nesta igreja consternado, com o coração ferido, sofrendo muito e sem saber o que fazer para sair da dor. Imaginei quantas pessoas sentaram neste mesmo banco, passando também por sofrimentos e desespero. Lembrei de um texto da escritora Marianne Williamson, instrutora e divulgadora do livro Um Curso Em Milagres, que fala de um tempo em que, ao passar por sofrimentos, devemos “deixar nossa alma sangrar, aceitar a dor, até que o ciclo se complete em si mesmo”.
“Você não pode apressar um rio ou um coração partido. Apenas saiba que isso também vai passar”.
Sendo levado pelas ideias e pelo clima do local, pensei nas inúmeras lições que a crucificação de Cristo nos deixou, das quais podemos lançar mão em todos os momentos de nossa vida. Da mesma Marianne, temos um exemplo: “A crucificação não é especialmente um conceito cristão; metafisicamente, é um padrão de energia, demonstrado fisicamente na vida de Jesus, mas experimentado psiquicamente na vida de todos nós. Energeticamente, ele representa um padrão de pensamento. A morte é sua missão e a vida é sua inimiga, pois ele é a mente trabalhando contra Deus.
Portanto, este é o drama de cada vida humana, enquanto o amor nasce nesse mundo e depois é crucificado pelo medo. Mas a história não para aí. A ressurreição, como a crucificação, é uma verdade metafísica: é a resposta de Deus ao ego, ou o triunfo último do amor. Tudo o que sempre acontece, em qualquer situação, é que o amor aparece, é crucificado e, finalmente, jogado fora.”
Alongando mais as explicações, acho pertinente incluir outros trechos: "Essa é a tragédia da história humana. Existe uma força negra, não fora de nós, mas aqui dentro, sempre trabalhando para destruir o amor que Deus cria. Essa força, ou ego, é mantida no lugar por nossa crença de que somos separados de Deus e uns dos outros; ela se expressa constantemente através do julgamento e da culpa. É cada palavra grosseira, ataque, pensamento, ou ação violenta. Algumas vezes, ela sussurra, como em vislumbre malvado; outras vezes ela grita, como no genocídio de uma pessoa. Mas ela está sempre ativa, enquanto tiver medo como combustível. E hoje, ela está de olho no maior prêmio de todos – a perspectiva da aniquilação global.
"A crucificação toma muitas formas: material, mental, emocional, e espiritual. Mentalmente, ela é uma doença progressiva trabalhando dentro das nossas mentes. Ela algumas vezes é chamada de segunda força, o anti-Cristo. Ela é o elemento destrutivo, contra a vida, na experiência humana.
"A ressurreição é a resposta de Deus para a crucificação; é Seu ato de elevar nossas consciências ao ponto onde os efeitos do medo são cancelados. Nossa santidade – o amor de Deus dentro de nós – é a única maneira pela qual a humanidade já transcendeu a escuridão, e sempre será.
"Não há nada mais lindo do que o manto do sobrevivente. Não há nada mais iluminado do que o corpo ressuscitado; a nova personalidade que emerge quando a velha foi deixada de lado."
Após essas lições, todas relembradas no silêncio santo da igreja, “religado” à minha essência levantei-me e caminhei para levar ao turbulento mundo, que rugia sua fúria através da balburdia cotidiana, o amor que renascia em meu peito.

José Batista C. de Carvalho


terça-feira, 5 de março de 2019

ANSEIO DE SER


Oh! Verdadeira fonte que jorra abundante abrilhantando olhos ainda quando eles não enxergam e sequer sentem refletirem emanações milagrosas de um amor real.
Explanação da verdade surgindo convicta na transcendência do visível para demonstrar eternidade, exponha em reflexões as cultuadas incoerências para que eu possa acudir as minhas faltas. 
Retire véus desobstruindo entendimentos e exiba as máscaras que permeiam os pensamentos enraizados em minha mente, assim experimentarei o expurgo de falsos aspectos.
Pois convivo comigo a um bom tempo e ainda que projeto em reflexo de si mesmo experimentando quedas e elevações, não reconheço que enquanto mais o cérebro criar pesadelos, mais difícil será abolir os medos.
Compara minha forma de ver com o original de ser, e ajude-me a descartar o que não é para ser, ainda que aparente ser a maioria do que eu possa conter.
Olhe-me então reflexo de mim, e diga-me agora sem melindres, que na maioria das vezes fui apenas singela presença, copias inexistentes, quando naturalmente deveria ser uma existência em absorta essência.
Eterna manifestação que tem morada no cerne das etapas e não colapsa com o tempo, que eu entenda o que é a revelação dessa lâmpada interna e ao horizonte, a luz impossível de ser ocultada.
Que eu não me detenha prematuramente acatando o ardil da ilusão, compreenda as armadilhas mentais tentando atrelar grilhões a irrealidade, e esteja liberto ao que não se esconde por interiorizar o óbvio, aparelhar cérebro, corpo e mente ao desejo de aprender, ao anseio de ser.

- Dionel Menezes

sexta-feira, 1 de março de 2019

SILÊNCIO



"Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la. Existem muitas vozes além das nossas. Muitas vozes. Só vamos escutá-las em silêncio..." (Chefe Sioux) 

O excesso de informações, ruídos e sons humanos que invadem a nossa vida, são responsáveis, em boa parte, pelo cansaço físico e mental sentido no final de um dia de trabalho ou de estudos. 

Sem percebermos, surgem sintomas sinalizando que alguma coisa não anda bem na nossa saúde. Porém, apesar do sinal emitido pelo organismo, não diminuimos o ritmo da "máquina" e continuamos dando força máxima no encalço dos objetivos a serem alcançados. Voltamos para casa, no fim do dia, mas continuamos envolvidos em problemas e cercados de sons humanos, ruídos e informações eletrônicas. 

No dia seguinte, a má qualidade do sono em uma noite mal dormida, é compensada por doses de café, onde a cafeína tem a função de manter o corpo e a mente "ligados" para mais um dia de trabalho. E lá vamos nós para mais uma batalha na cidade, rodeados de barulho por todos os lados... 

Ao chegarmos no local de trabalho, a pressão sobre o nosso corpo e a nossa mente, segue impiedosamente: pessoas que falam alto ou gritam. Informações e mais informações que temos de dar conta na tarefa a qual executamos. E os ruídos que vem do ambiente externo a penetrar em nossos ouvidos. 

Mais doses de cafeína para reanimar a máquina humana que não pode parar de pensar e executar. Logo, surge a tradicional dor de cabeça de "horário marcado", ou a tonturinha passageira, ou ainda, a sudorese de origem desconhecida, mas sem maiores consequências imediatas... 

Até o momento que o organismo, como um todo, não aguenta mais e entrega os pontos através de somatizações traduzidas em desequilíbrios na saúde por estresse, ou seja, esgotamento físico e mental. É o colapso! 

Portanto, antes que o colapso aconteça, a "terapia" do silêncio para quem tem uma vida agitada nos centros urbanos, é de grande valia no sentido de disciplinar - ou reeducar - a mente para alcançar o bem-estar vital. 

As compulsões no falar e no agir são as grandes vilãs da saúde do homem nos tempos modernos. O ser inteligente, precisa entender que o sucesso material por si só é vazio, e o vazio interior se preenche com consciência de si mesmo. E nessa direção, o indivíduo que apresenta traço compulsivo em seu comportamento diário, deve curar esse desequilíbrio psíquico-espiritual através de um melhor nível de autoconhecimento. Conhecendo-se melhor, ele terá um melhor controle sobre as suas emoções, que quando desequilibradas, tornam-se o combustível dos comportamentos compulsivos de característica obsessiva. 

O silêncio como aprendizado gera a paz interior tão necessária nos dias atuais. E o exercício da paz interior começa pela consciência de si mesmo, isto é, a percepção de si próprio inserido em um contexto universal e interdimensional chamado vida. 

As psicoterapias que lidam com a natureza interdimensional do ser humano, a meditação e as religiões que pregam a reencarnação como uma condição inerente ao indivíduo dotado de inteligência, livre arbítrio e imensa capacidade de expansão da consciência, são as bases de um processo de autodescobrimento e cura de traços obsessivos e compulsivos que o espírito traz de outras vidas e que devem ser elevados à luz da consciência. 

A sabedoria dos índios norte-americanos, fundamentada em uma cultura multicelular, ilustra o que precisamos aprender a respeito do silêncio como mestre. Para eles, o silêncio era um "velho conhecido" por ser mais poderoso que as palavras faladas. Gerações e gerações de índios foram educados na escola do silêncio. "Observa, escuta e logo atua", diziam os anciães para os jovens índios. "Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos. E então aprenderás. Quando tiveres observado o suficiente, então poderás atuar". 

Chandra Mohan Jain, um professor de filosofia mais conhecido mundialmente como Osho, que entre outros ideais, pregava a busca da liberdade pela meditação, deixou-nos uma interessante mensagem sobre o silêncio: "Neste mundo barulhento, nos acostumamos aos gritos e sons, e muitas vezes diante disso nos viciamos em terapias que visam exclusivamente a catarse. Então, por um momento acontece. O silêncio baixa e percebemos o silêncio amoroso de simplesmente ser. Tão gostoso, tão único porque tão sutil e raro". 

Não tenha medo do silêncio. Faça do silêncio o seu mestre. Adote, pois, o silêncio interior como ferramenta de seu autoconhecimento. Silêncio que deve transitar livremente entre o inconsciente e o consciente, libertando-a para que torne-se uma pessoa mais realizada e feliz. 

por Flávio Bastos

domingo, 17 de fevereiro de 2019

O Crescimento Espiritual


O crescimento espiritual é o processo do despertar interior, tornando-se consciente de nosso ser interior. Isto significa a elevação da consciência além da existência comum, e o despertar para algumas verdades Universais. Significa ir além da mente e do ego e compreender quem realmente você é.
O crescimento espiritual é um processo de desprendimento de nossas concepções, pensamentos, crenças e ideias errôneas, tornando-nos mais e mais conscientes de nosso ser interior. Este processo revela o espírito interior que está sempre presente, mas oculto além da personalidade-ego. O crescimento espiritual é de grande importância para todos, não somente para as pessoas que buscam a iluminação espiritual e escolhem viver em locais distantes ou isolados. O crescimento espiritual é a base para uma vida melhor e mais harmoniosa para todos, livre de tensão, medo e ansiedade. Ao descobrirmos quem nós realmente somos, nós temos uma abordagem diferente da vida. Nós aprendemos a não permitir que as circunstâncias externas influenciem o nosso ser interior e o estado da mente. Nós manifestamos serenidade e desprendimento, e desenvolvemos poder e força interior, os quais são ferramentas muitos úteis e importantes.
O crescimento espiritual não é um meio para escapar das responsabilidades, com comportamentos estranhos e sendo uma pessoa não prática. É um método de evoluir e se tornar uma pessoa mais forte, mais feliz e mais responsável. Vocês podem percorrer o caminho do crescimento espiritual, e ao mesmo tempo, viver o mesmo tipo de vida como todos os outros. Vocês não têm que ter uma vida reclusa, em algum lugar distante. Vocês podem criar uma família, trabalhar ou dirigir um negócio, e ainda, ao mesmo tempo, se engajarem em práticas que levem ao crescimento interior.
Uma vida equilibrada requer que cuidemos não somente das necessidades do corpo, sentimentos e mente, mas também do espírito, e este é o papel do crescimento espiritual.
Dez dicas para o crescimento espiritual:
1 - Leia livros espirituais e edificantes. Pense no que lê, e descubra como você pode usar a informação em sua vida.
2 - Medite, por pelo menos 15 minutos todos os dias. Se não souber como meditar, é fácil encontrar livros, websites ou professores que podem lhe ensinar a meditação.
3 - Aprenda a acalmar a sua mente através de exercícios de concentração e da meditação.
4 – Reconheça o fato de que você é um espírito com um corpo físico, não um corpo físico com um espírito. Se puder realmente aceitar esta idéia, isto mudará a sua atitude em relação a muitas coisas em sua vida.
5 – Olhe freqüentemente para si mesmo e para a sua mente, e tente descobrir o que é que o torna consciente e vivo.
6 – Pense positivo. Se você estiver pensando de modo negativo, imediatamente mude para o pensamento positivo. Esteja no controle do que entra em sua mente. Abra a porta para o positivo e a feche para o negativo.
7 – Desenvolva o hábito da felicidade, olhando sempre o lado bom da vida e se esforçando para ser feliz. A felicidade vem do interior. Não permita que as suas circunstâncias externas decidam a sua felicidade por você.
8 – Exercite frequentemente a sua força de vontade e a sua capacidade de tomar decisões. Isto o fortalece e lhe dá o controle sobre a sua mente.
9 – Agradeça ao Universo por tudo o que você recebe.
10- Desenvolva a tolerância, a paciência, o tato e a consideração pelos outros. O crescimento espiritual é o direito nato de todos. É a chave para uma vida de felicidade e de paz de espírito, e da manifestação do enorme poder do espírito interior. Este espírito está igualmente presente na pessoa mais materialista e na pessoa mais espiritualizada. O nível da manifestação da espiritualidade depende de quanto o espírito interior está próximo à superfície e de quanto ele está oculto pelos pensamentos, crenças e hábitos negativos.
Remez Sasson escreve e ensina sobre o auto-aperfeiçoamento, o pensamento positivo, a motivação, a visualização criativa, o sucesso, o poder da mente, evolução espiritual e meditação. Ele é o autor de vários livros: “Poder e Auto-Disciplina”, “Visualize e Alcance”, e “Afirmações – Palavras de Poder”