sábado, 17 de novembro de 2018

A MEDICINA DA BORBOLETA


Canção Estrelada, o xamã que tinha o dom de transmitir a sabedoria do seu povo através das histórias e das músicas, tinha vindo me visitar no Rio de Janeiro. Tínhamos feito uma trilha pela Floresta da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do planeta. Localizada em uma montanha, de lá é possível avistar diversos bairros da cidade, alguns à beira do mar. Éramos um pequeno grupo. Estávamos em uma clareira bem no alto; o Rio repousava aos nossos pés. No silêncio da montanha podíamos ouvir a pulsação da cidade assim como se ouve as batidas de um coração. Ficava ainda mais nítido o conceito de entender uma cidade como um ser vivo; a sua linguagem, mistérios e transformações. A conversa se estendeu. Da dificuldade que por vezes encontramos para nos adaptar a uma cidade até os problemas que temos para entender um momento existencial, onde tudo parece complicado e, algumas vezes, sem solução. Canção Estrelada, que ouvia a tudo sem dizer palavra, se intrometeu na conversa: “Tudo depende se os olhos ainda são os da lagarta ou se já pertencem à borboleta.”
O comentário instigou a curiosidade de algumas pessoas do grupo. O xamã explicou que a filosofia sobre o poder dos animais era uma herança cultural do seu povo. Acrescentou que os animais não têm consciência. Entretanto, cada espécie tem instintos e características próprias. Os diversos comportamentos formam ondas energéticas na psicoesfera do planeta. Captar e aproveitar essas vibrações para a cura da alma, como auxílio para a superação de uma dificuldade em determinados momentos da vida, fazia parte da tradição religiosa dos seus ancestrais. Tudo no universo se interliga, como as ramificações neuronais de um cérebro, explicou. Aprofundou o raciocínio: “O cérebro é a exata miniatura do universo. Portanto, cada coisa que existe no mundo nos diz respeito, pois tem conexão conosco. De algum jeito nos influencia. Nada deve ser menosprezado. Entender e aplicar isto para o bem é parte essencial da sabedoria dos meus antepassados. A cada passo que damos em direção à luz, por consequência, iluminamos todo o mundo.”
“Muitas vezes uso a medicina da borboleta para fechar um ciclo existencial ou mesmo para possibilitar que uma ideia se expanda do imaginário até a realidade.” Ao ouvir tais palavras o interesse do grupo aumentou. Canção Estrelada ampliou a explicação: “Não raro, diante de uma dificuldade, de uma situação que furtou o equilíbrio ou de um momento impensável, tudo parece desabar. Os muros se apresentam intransponíveis. Não me refiro apenas aos inevitáveis problemas da vida, falo também dos sonhos, daqueles projetos de vida que nos alegram o coração. Alguns parecem inalcançáveis por serem grandiosos. Então, nem ao menos nos permitimos a ousadia de tentar. Esforçamo-nos para esquecer e continuamos a tocar a vida. Todavia, é como se um pedaço de nós se desmanchasse.”
“É na fase da lagarta que a dificuldade aparece. Uma situação se apresenta para obstruir a viagem. Por se arrastar no chão para se locomover, para a lagarta tudo parece difícil, qualquer objetivo fica distante. Uma pequena pedra se torna como uma enorme muralha a bloquear a estrada. Uma desanimadora sensação de impotência envolve a lagarta diante da dureza do mundo. Entretanto, não se iluda em pensar que essa fase é desprovida de valor. Lembra que tudo no universo tem a sua razão de ser e existir? Que tudo se interliga e se explica? Toda dificuldade traz em si uma lição e uma ferramenta de superação. A medicina da borboleta, a depender do caso, pode se tornar esse instrumento de auxílio. Ela ensina o poder da transmutação. Transmutar é transformar a si mesmo. Para isto é preciso entender e superar todas as fases do ciclo, como em qualquer processo evolutivo.”
“Em um primeiro momento as dificuldades se mostram aparentemente insuperáveis. Não se imagine um fraco por isto. Todos se sentem assim em inícios de ciclos; todos se sentem lagartas ao se depararem com problemas desconhecidos. Mas as dificuldades, todas elas, estão apenas na aparência. Entender e aceitar isto é pressuposto primordial para esta cura xamânica e, também, uma valiosa lição. Claro que você pode esmorecer, desistir e perecer em frente ao muro. A outra opção é se transformar para superá-lo. Ao escolher por ultrapassar o obstáculo, optamos pela evolução. Estamos prontos para iniciar o processo de transmutação. Esta é a medicina da borboleta.”
“Não existe magia para uma lagarta virar borboleta; não basta um mero desejo nem um simples estalar dos dedos. Há que se ter o firme propósito em mudar. Não mudar o obstáculo que atravanca o caminho, mas mudar a si mesmo, como maneira eficiente de superar o obstáculo e seguir em frente. Quando mudamos o olhar a vida se modifica. Repare que para a lagarta que se arrasta, uma pedra representa um enorme muro; para a borboleta que voa, um muro tem a altura de um risco de giz no chão.”
“No entanto, não se engane; nenhuma transmutação é fácil. É um exercício de vontade, uma batalha dura travada nas entranhas da lagarta. A transformação da lagarta só se inicia quando ela se aceita do exato tamanho que de fato tem; sem revoltas nem lamentos. Isto não é demérito; é sabedoria. Aceitar-se pequeno é passo essencial para o crescimento. Sem aquele não há este. A humildade é condição fundamental para a transformação. Aquele que se ilude grande não tem espaço para crescer. Afinal, só merecemos um poder quando entendemos o real valor dele. Em verdade, nunca o conquistamos antes de aprender a usá-lo com humildade e amor.”
“Essas são as premissas para a transmutação: coragem, sabedoria e amor.”
“O próximo passo é a lagarta entender que nenhum outro animal pode lhe conceder o poder das asas. Nem mesmo o leão, o rei da floresta, possui tamanho poder. O poder das asas é um legado seu, uma herança oculta em si, adormecida, à espera de ser despertada. Todo poder oferecido por alguém é ilusório e efêmero. É preciso se entender e se aceitar como uma lagarta para prosseguir. É necessário entender e aceitar o poder das asas como sendo legitimamente seu. Ou nunca as conseguirá.”
“A partir daí a lagarta segue para a etapa seguinte: o casulo. É a fase dos estudos, da introspecção e do encontro consigo mesmo; do conhecimento, da quietude, da solidão e do descobrimento. Dos livros, da meditação, de colocar o ego para dialogar com a alma. O casulo é o fechamento em si, é o mergulho na escuridão do ser para encontrar as próprias asas. É a descoberta de tudo aquilo que você pode se tornar, do poder oculto que habita em cada um de nós. Sem exceção. Este poder é representado pelas asas, símbolo da liberdade. Libertar-se dos medos que oprimem, das sombras que iludem, da ignorância que engana, dos conflitos que desorientam, das fraquezas que proíbem. É a cura dos sofrimentos que tanto incomodam naquele instante da existência. Por isto o meu povo denomina esse processo como medicina. As asas estão lá, dentro da lagarta, mas não acredite que seja como entrar no mercado e pegar um produto exposto na prateleira. Será preciso fazê-las germinar nas próprias entranhas. Nesta fase, a do casulo, a lagarta vai tornar a precisar daquelas três virtudes citadas: coragem, sabedoria e amor. Coragem para encontrar consigo na escuridão do ser; sabedoria para se conhecer por inteiro; amor para realizar a reforma estrutural no pensar e no viver.”
“Para encontrar as asas é preciso deixar de raciocinar como lagarta e passar a pensar como borboleta. Para que as asas cresçam é indispensável não querer mais viver como uma lagarta e estar disposto a viver como uma borboleta. Não é tão fácil como parece. Uma borboleta não é apenas uma lagarta com asas. Trata-se de outro ser, completamente diferente, pois, vê e age diferente. Acredite, não é fácil. Porém, é lindo.”
“Então, chega o momento da magia, a hora de voltar à luz. Para tanto será necessário romper a casca do casulo. Como a borboleta faz para rasgar a casca? Ela usa as asas. O casulo é sólido, suas fibras são duras e opõe uma enorme resistência à borboleta. Mas é perfeito que seja assim para que o novo ser possa fortalecer as suas asas e a sua vontade. Nesse momento é importante que a borboleta rompa a casca sozinha, sem ajuda externa, para que as suas asas não restem fracas nem que haja dúvida quanto ao próprio poder. Somente as asas fortes e crescidas, capazes de rasgar o casulo, poderão alçar grandes voos. É um momento solitário, contudo grandioso; é a libertação da casca, é a saída da escuridão para a luz. É o descobrimento das próprias asas, das suas forças, do seu poder.”
“Se a lagarta se negar à transformação, perecerá na tristeza da prisão das pedras ou na amargura da escuridão do casulo. Há lagartas que nunca entram no casulo; outras não conseguem sair dele. Depressão e violência são sintomas que costumam representar essas duas metáforas.”
“Ao superar essa etapa e deixar para trás o casulo, estará simbolicamente abdicando de um jeito de ser que não mais condiz com a sua nova personalidade. Não se trata de negar o passado, fonte valiosa de experiências, mas de não mais permitir que situações de outrora sejam obstáculos para impedi-lo de prosseguir. Afinal, você agora não mais se arrasta. Você tem asas. Sem que você nada explique, as pessoas vão se surpreender contigo. Vão comentar como você está diferente. Como mudou a fala e a postura; a serenidade e as escolhas; o olhar e a alegria. Estas são as asas a que me refiro. Dirão que você parece outra pessoa. Em verdade, você se transformou em outra pessoa.”
“Repare que a lagarta não mudou o mundo; ela transformou a si. Ao se tornar borboleta o mundo se modificou para ela.”
Após alguns instantes de silêncio, todo o grupo estava encantado com as palavras de Canção Estrelada. As pessoas começaram a falar ao mesmo tempo. Comentavam da filosofia e da poesia contida na medicina xamânica da borboleta. De comum, o estranhamento que um animal tão frágil tivesse tamanho poder. O xamã corrigiu o raciocínio: “Faz parte da lição: o poder está no pequeno, no improvável. De criar o novo onde muitos acreditam não haver mais nada. Imprevisível como o voo da borboleta; criativo como as cores das suas asas. A insignificante lagarta possui um fantástico poder negado ao enorme rinoceronte. A força não está apenas no físico, mas principalmente no emocional e no mental. Não está nas condições materiais, porém na capacidade espiritual. O poder vai além da aparência; está oculto na essência. O manejo da espada é de grande importância para o guerreiro, mas, por mais preparado e habilidoso que seja, se ele for dominado pelo medo, se mentalmente se sentir fraco, não entender a razão da batalha ou não acreditar no próprio dom restará derrotado. Lembre que as pessoas que mudaram o rumo da humanidade eram fisicamente frágeis, mas com uma incomensurável força na alma. As asas falam ao poder da alma.”
“No mais, vale esclarecer que há uma cura específica disponibilizada por cada animal, aplicável a determinados momentos da vida. Existe a hora de entrar na caverna para esperar o inverno passar como ensina o urso; da proteção da matilha como faz o lobo; de ouvir o corvo, o mensageiro das outras dimensões; de sobrevoar as grandes altitudes para ter a capacidade de ver do alto como apenas a águia é capaz. Enfim, são inúmeras possibilidades, cada uma com a sua beleza, significado e cura.”
Claro que surgiram muitos questionamentos de como usar essa medicina de modo objetivo. Canção Estrelada explicou que se trata de métodos que precisam se adequar as características de cada indivíduo e às dificuldades específicas do momento. Por isso as orientações eram sempre de natureza subjetiva para que fossem adaptadas a cada caso. Pois, no fim, com ou sem orientação terapêutica, restará sempre cada um consigo próprio. “Esta é a casa da verdade, do poder e da luz”, concluiu.
Antes que alguém falasse mais alguma coisa, o xamã fez questão de acrescentar: “Ainda não terminei de explicar todo o tratamento da medicina da borboleta.” Diante de olhares surpresos, Canção Estrelada disse: “Falta a última fase do ciclo de transformação, uma etapa igualmente importante: a polinização. A razão de existir da borboleta não é somente a de voar para ultrapassar os muros. É preciso dar um sentido ao voo. A borboleta não apenas passeia nos jardins, mas voa por entre as flores compartilhando a riqueza da vida. O pólen que recebe aqui é oferecido ali. Ela oferece vida para multiplicar a vida. Assim ela altera a realidade. Então, o mundo responde em beleza.”
Apontou com o queixo a cidade que pulsava aos nossos pés e falou: “Começamos por polinizar a própria alma. Dela retiramos a melhor essência para perfumar a nossa casa. Dali partimos pelas ruas da cidade semeando as virtudes do coração. A vida nos acolhe e nos torna cidadãos. Essa é a lição da borboleta.”

Outros textos do autor em www.yoskhaz.com
O texto acima está disponível também em áudio no site do autor:http://yoskhaz.com/pt/2018/05/17/a-medicina-da-borboleta/

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O encontro mais íntimo não é na cama: é o nu emocional


O encontro mais íntimo entre duas pessoas não é o sexual, é o nu emocional.
Não é fácil de conseguir. Na verdade, um nu emocional não é algo que se consegue fácil ou com qualquer pessoa. Leva tempo, força e desejo de ouvir, sentir e abraçar emoções.
Visto desta maneira, não parece por acaso que os escritos bíblicos utilizam um termo para falar sobre amor sexual ou do estabelecimento de intimidade, que é CONHECER. Para conhecer e despir-se em paixões, sentimentos e história emocional vamos tentar neste artigo …
O nu emocional começa com você
O nu emocional começa consigo mesmo. Isto é, é muito importante que as pessoas se identifiquem com o que sentimos e percebam como nos sentimos confortáveis ou desconfortáveis, o que pensamos e como podemos usar nossas emoções para servir nossos pensamentos.
Ouvir, conectar-se e conhecer nossa herança emocional, ou seja, escanear nosso corpo emocional é essencial para descobrir nossos medos, nossos conflitos, nossas inseguranças, nossas conquistas, nosso aprendizado, etc.
Conhecer nossa filosofia emocional, explorar nossas vulnerabilidades permanentes, estar atento ao doloroso e que flui, é essencial para poder contemplar a imagem que nosso espelho emocional nos projeta para tirar a roupa que “nos veste”.

“O autoconhecimento de nossas vulnerabilidades emocionais não as faz desaparecer, mas ter uma concepção mais profunda disso implica que, a cada vez que aparece em nossas vidas, podemos identificá-la e agir de acordo com ela, impedindo-a de afogar nossas conexões emocionais.”
Nossa herança emocional, a chave para conectar
Nossa herança emocional exerce um forte impacto tanto em nossa capacidade de nos conectar emocionalmente com os outros quanto nas ocasiões em que precisamos fazê-lo. É justamente essa bagagem, essa pele, que nos faz qualificar e atuar sobre nossos sensações, sentimentos e emoções de uma certa maneira.
Expor-nos às nossas memórias e àquelas sensações que podem ser desagradáveis não é fácil e nem sempre é considerado útil. No entanto, existem muitas razões pelas quais é aconselhável tirar a roupa:
• Se quisermos ter relacionamentos mais significativos, é importante que paremos para olhar o passado e curar as feridas emocionais de nossa infância.

• Precisamos descobrir a fiação motriz que transporta nossas mensagens emocionais para que nossas reações não nos impulsionem. Por exemplo, quando dizemos que “nosso irmão está nos perturbando”, estamos realmente tendo a sensação de que ele sabe qual tecla tocar para nos deixar com raiva.
• Conhecer esses padrões de reação emocional e comunicá-los nos ajuda a regenerar nossos pensamentos e nosso estado geral de bem-estar.
• Assim, quando realizamos um trabalho de autoconhecimento, nosso diálogo interno pode mudar de “As pessoas são perigosas para mim” para “O modo como me trataram me magoou, mas já sou consciente e tento não deixar isso me influenciar”.
• Quando acessamos nossa herança emocional e entendemos como os sentimentos do passado matizam as experiências do presente, podemos ser mais capazes de estabelecer laços fortes e saudáveis de união com aqueles que nos rodeiam.

• Conscientes dos filtros emocionais, os casacos e as armaduras que vestimos contribuem para nos tornar leitores e intérpretes capazes de conectar os outros, assim como os seus.
Não é fácil despir a uma pessoa ferida
Despir emocionalmente as pessoas muito marcadas pelo seu passado pode ser difícil, porque é necessário lidar com a armadura, com as roupas que a tornam inacessível, as decepções que cercam a pessoa, os medos de rejeição, abandono, solidão …
Para fazer isso, você precisa ser inteligente, amar a pessoa e abrir seus ouvidos, olhos e pele, banir os preconceitos e a atitude de julgar. Isto é, uma escuta emocional ativa através de todos os sentidos sem “mas” ou vírgulas fora do lugar.
“Para fazer isso, devemos saber que um nu emocional não é criado em nenhum tipo de ambiente, mas que as condições ideais devem ser dadas para gerar emoções, senti-las, manipulá-las, examiná-las e usá-las.”

Os cenários emocionais ideais para o nu são aqueles em que prevalecem a escuta interior, a empatia e a inteligência emocional. Cenários em que a comunicação e o entendimento são fomentados com uma grande base de respeito e tolerância.
Somente assim seremos capazes de criar um ambiente emocionalmente distendido, no qual o encontro íntimo, o nu de medos, inseguranças e verdade emocional, possam realmente acontecer. Só então conseguiremos aqueles abraços que quebram medos, fecham nossos olhos e nos dão 200% de corpo e alma.

sábado, 27 de outubro de 2018

Geometria Sagrada, A Flor da Vida e a Linguagem da Luz.

merkabah-movimento

Este símbolo geométrico ao lado é conhecido desde a mais remota antiguidade e chama-se “A Flor da Vida“.
Na verdade, segundo foi revelado, o símbolo da Flor da Vida é bem conhecido em todo o universo, menos aqui na Terra! Cada molécula de vida, cada célula em nosso corpo humano conhece esse padrão geométrico e por ele é construído. 
Edição e imagens:Thoth3126@protonmail.ch
UM RESUMO DO CONHECIMENTO MATEMÁTICO SAGRADO UTILIZADO NAS CONSTRUÇÕES DAS GRANDES PIRÂMIDES DO EGITO, TEOTIHUACAN NO MÉXICO E EM OUTROS LOCAIS DA TERRA E EM OUTROS PLANETAS DO UNIVERSO (como em Marte) 
A Flor da Vida:  Ela é o padrão geométrico da criação e da vida, em todo lugar.  Na verdade, não há nenhum conhecimento, absolutamente nenhum conhecimento no Universo que não esteja contido neste padrão da Flor da Vida. Diz-se que grandes mestres concordaram em mais uma vez revelar esta antiga sabedoria, conhecida como a Flor da Vida. Ela é um código secreto usado por muitas raças avançadas e por navegantes espaciais. O código da Flor da Vida contém toda a sabedoria similar ao código genético contido em nosso DNA.
Esse código genético vai além das formas comuns de ensinamento e se encontra por trás de toda a estrutura da própria realidade. Todos os harmônicos da luz, do som e da música se encontram nessa estrutura geométrica, que existe como um padrão holográfico, definindo a forma tanto dos átomos como das galáxias. O símbolo da Flor da Vida se encontra inscrito nos tetos do Templo de Osíris, em Abidos, no Egito. Sabemos hoje que o símbolo da Flor da Vida também foi encontrado em Massada (Israel), no Monte Sinai, no Japão, China, India, Espanha, entre muitos outros lugares.
A maioria das nossas experiências meditativas centra-se no hemisfério direito do cérebro – o nosso lado intuitivo, emocional e sentimental. Quando meditamos, geralmente, sentimo-nos muito bem. Às vezes, durante as meditações, conseguimos ter visões ou imagens, ouvir sons calmos ou vozes inspiradoras. Todas estas sensações se localizam no lado direito do nosso cérebro; o sentimental e intuitivo que nos conecta com nosso corpo mental superior.
Qualquer um que tenha tido experiências meditativas, fica com a sensação de ter tido uma experiência maravilhosa, mas mal começa a tomar consciência da realidade, começa a duvidar da validade da experiência que acabou de ter e começa a ter uma conversa do tipo “Nada disso! É tudo imaginação minha isto não pode ser verdade, devo ter inventado estas coisas…”
O que acontece, é que o lado esquerdo do cérebro, não foi envolvido na experiência, ou seja, o teu lado esquerdo, o teu lado lógico, não teve qualquer envolvimento com o teu lado direito, com o teu lado intuitivo, e por isso não sabe o que fazer com estas experiências. Então, o teu cérebro desata a fazer o que os pensadores, aqueles que têm a mente muito ativa, geralmente fazem, começa a rejeitar as tuas experiências intuitivas utilizando questões puramente lógicas, emocionais e racionais. E como a tua experiência foi puramente sentimental e (abstrata) intuitiva, não tem por isso uma base lógica, racional de sustentação. E é assim que começamos a diminuir as experiências internas que temos, com tanta facilidade.
Este é só um dos exemplos do que acontece quando os teus dois hemisférios cerebrais não estão a trabalhar em conjunto tal como deveriam. O teu lado lógico mantém-se cético e por vezes até cínico, acerca do valor das experiências que acontecem no teu lado direito ou intuitivo. É como usar só um motor do barco num percurso e, em que, se utilizares os dois motores, chega lá muito mais depressa.
Então, significa que existe aqui um desafio a ser superado! Ou seja, temos estas experiências maravilhosas, estes ‘insights’ e visões fantásticas que são potencialmente e extremamente úteis ao nosso progresso e desenvolvimento, mas assim que saímos daquele estado meditativo e começamos a utilizar o lado lógico/esquerdo do cérebro surge a dúvida e os questionamentos. E como é que resolvemos esse impasse? Como conseguiremos ter os dois lados do cérebro funcionando em conjunto e em harmonia? Pois bem, a vossa resposta, está na Geometria Sagrada!
A Geometria Sagrada é basicamente a geometria focada em descrever a criação e/ou consciência; o movimento da consciência pela realidade. E como está em movimento (em vez de apenas se ‘ler’ ou ‘observar’, não é por isso uma atividade estática) apela diretamente ao nosso lado racional do cérebro. Mas a Geometria Sagrada não é algo que se olhe e pense “Sim, já percebi!“, tens mesmo que pegar num lápis, num compasso e em papel e começar a desenhar. É uma experiência quase hipnótica, asseguro-vos.

E o que acontece quando começas a desenhar é que o teu lado esquerdo do cérebro está envolvido também – e então começas a fazer, a criar algo. É então que se dá a magia! Ao desenhares estas imagens (não só por olhares para elas) começas a aceder à essência da tua/nossa realidade, a base da criação numa linguagem que o teu lado lógico consegue finalmente entender.
E assim que inicias este processo, começas a permitir ao lado esquerdo do teu cérebro, o racional, a compreender uma explicação lógica para a Unicidade de todas as coisas. E fazes isto porque, em parte, estás a desenhar a realidade, a descrevê-la simplesmente porque estás a usar as formas e figuras construtoras da nossa realidade. Aqui, o teu lado lógico começa a entender! Começa a envolver-se na tua experiência espiritual, e num ápice, tens os dois motores do barco na água e então surge o “equilíbrio” e tudo começa a andar a toda velocidade.
Ao olhar para a imagem da Flor da Vida pensamos que é demasiado complicada para se desenhar. Mas por agora, olhemos para esta imagem anterior acima e pensemos que ela é a base para muitas outras. O perímetro do quadrado e a circunferência do círculo são (aproximadamente) do mesmo tamanho. Assim, se um dos lados do quadrado for 3 cm, então a circunferência do circulo tem que ter 12cm – o que significa que o raio do círculo seria de 1,9 cm – mas verifiquem por vós mesmos.]
Quando fiz estes desenhos pela primeira vez, percebi que descreviam a relação entre o círculo e o quadrado, o feminino e o masculino. E mais, descreve a relação num lado bastante masculino, ou seja, através de linhas retas (no lado feminino usam-se as formas curvas). Agora, ao ler o parágrafo acima podes até dizer “sim, isso é verdade”, ou podes agarrar num lápis, compasso e papel e desenhar por ti mesmo. Depois podes começar a sentir a diferença entre olhar para a Geometria Sagrada e praticá-la – “a diferença entre saber o caminho, e caminhá-lo” é enorme.
Como se pode saber o caminho sem o caminhar? Se o caminho se faz em cada passo que damos? Por isso digo, deixemos fluir a vida, sem pará-la em processos egóticos (puramente mental inferior), porque não saberemos o que temos pela frente se não o vivenciarmos. Nestes desenhos o processo é o mesmo, acontece por vezes ter em mente uma coisa e sai outra totalmente diferente, porque pode haver o envolvimento e a entrega de tal forma, que o resultado é aquilo que os dois lados do cérebro quiserem experiênciar. Assim é a vida também!
Contudo, fazer estes desenhos, não é uma experiência unicamente pertencente ao lado racional e lógico. Formas como o Ovo da Vida (imagens abaixo na figura 7), possuem uma beleza tão grande e universal que apelam à nossa parte mais básica, mais essencial, dentro de cada um de nós.
Falam do que de mais belo existe dentro de nós, e que está esquecido, mas pronto a ser relembrado uma vez mais. Uma beleza reconhecida intuitivamente, mas também logicamente, e por isso holisticamente.
Formas e figuras que nos recordam o nosso lugar no universo e a forma como sentimos e entendemos, movimentamos e criamos harmonia no nosso próprio mundo, logo, em tudo o que nos rodeia. São as formas que geram a essência do nosso universo muito particular e do Todo.
A Criação do Universo e a Geometria Sagrada
Imaginemos que no início tínhamos o vácuo, (o vazio absoluto) a consciência primordial sem forma, chamemos-lhe o Espírito. Com o objetivo de começar a criar, um raio de consciência no vácuo é disparado, primeiro para frente, depois para trás (um eixo), para a esquerda e direita (outro eixo) e por último, para cima e para baixo (terceiro eixo), obtendo-se assim o primeiro desenho da figura 1, isto com a mesma distância nas 6 direções, definindo as coordenadas espaciais (Norte, Sul, Leste, Oeste, Acima e Abaixo e o CENTRO).
Todos nós temos estes 6 raios sensitivos partindo da nossa glândula pineal (um atravessando o chakra da coroa (o sétimo, o Sahasrara) e pescoço, outro atravessando a nuca e o chakra frontal (Ajna) e um terceiro atravessando os dois hemisférios cerebrais), correspondendo aos três eixos cartesianos x, y, z. Esta capacidade criativa é inata a todos os seres humanos.
Se unirmos agora as várias direções tal como era feito nas antigas Escolas de Mistério, obtemos um diamante ou retângulo (segundo desenho, ver em perspectiva), após a formação deste quadrado à volta da consciência é disparado um raio de consciência no sentido ascendente, formando uma pirâmide, e um raio de consciência no sentido descendente formando outra pirâmide (terceiro desenho).
É importante referir que a função piramidal assume uma máxima importância no retorno à Fonte Primordial, o que é amplamente descrito no “Livro do Conhecimento,  As Chaves de Enoch”de J.J.Hurtak, “A inteligência humana deve ser iniciada nas funções piramidais de Luz antes que possa ser promovida à próxima ordem de evolução, à próxima célula (a)temporal consciencial”.
Como pode ser observado na figura 2 acabamos de obter um octaedro (na forma tridimensional). É importante observar que isto é só a consciência, não existe um corpo no vácuo. Foi simplesmente criado um campo à volta da consciência.
A partir deste momento é possível, pela primeira vez, imprimir movimento, criar energia cinética, ou seja, temos este octaedro base e podemos criar uma distância (afastarmo-nos ou aproximarmo-nos) ou então o criador pode simplesmente permanecer imóvel levando este primeiro octaedro a movimentar-se, passa a haver uma referência no centro do vácuo, logo passam a existir também distâncias.
Se movimentarmos este octaedro na direção dos vários eixos criamos os parâmetros perfeitos para uma esfera(figura 2), era exatamente isto o que os iniciados no Egito faziam nas suas meditações (quarto desenho da figura 1), tal como na Cabala em que as direções assumem  bastante importância para algumas meditações específicas.
Todo indivíduo que estuda geometria sagrada está de acordo quanto ao fato de que uma linha reta representa o masculino e uma linha curva representa o feminino (e também de que toda linha é feita de “minúsculos pontos”, que na realidade são micro esferas e …).
O que os egípcios estavam criando ao realizar esta meditação era passar de uma forma masculina (octaedro) a uma forma feminina (esfera). Isto está diretamente associado à Bíblia e à parábola da separação do feminino (EVA) do princípio masculino (ambos existindo EM EQUILíBRIO na figura do Adam Kadmon, macho e fêmea ao mesmo tempo, ou seja, um ser divino não polarizado, um anjo!!) a partir das  “costelas de Adão”, quando a polaridade masculina e feminina surgem.
Tudo o que conhecemos como “realidade” foi uma criação de uma consciência no infinito vácuo, os Hindus chamam-lhe Maya, que significa ilusão, todos nós podemos criar a nossa realidade (sermos deuses co-criadores) e libertarmo-nos de Maya, da ilusão do mundo material.
Partindo desta primeira esfera (com o ponto central) ou bolha no vácuo (primeiro desenho à esquerda da figura 3) o Espírito projeta uma nova esfera (segundo desenho) obedecendo às mesmas regras. Este processo lembra-nos a divisão na Mitose (reprodução assexuada). Temos aqui a associação com o primeiro dia da criação (“Fez-se a Luz”).
Neste momento encontramo-nos perante um símbolo sagrado muito antigo conhecido como “Vesica Piscis”(figura 4 a seguir) associado ao Cristianismo e também conhecido como o “Peixe de Cristo” (na simbologia e numerologia).
Se considerarmos uma esfera como sendo Deus ou o Céu e uma segunda esfera como a Humanidade ou a materialidade esta intersecção simboliza o Cristo, o portal que une o Céu e a Terra. Este símbolo está intimamente associado à criação da luz, sem ele a luz não seria possível, sem esta imagem geométrica não seria possível, por exemplo, a criação dos nossos olhos, responsáveis pela recepção da luz.
No segundo dia da criação com uma terceira esfera obtemos o símbolo da Santíssima Trindade (figura 4), a geometria básica da estrela tetraédrica, uma das formas geométricas mais importantes na criação (A forma da Merkabah, o corpo de luz que nos permite voltar ao nosso estado de consciência DIVINO e original).  “Quando duas Pirâmides de Luz se unem para formar um Selo de Vishnu, nasce um novo universo estelar de inteligência” (J.J. Hurtak).
Continuando o movimento matemático da criação vamos chegar ao Sexto dia da criação obtendo-se o símbolo da flor de seis pétalas conhecida como a Semente da vida, o princípio da criação do Universo no qual nós vivemos.
Este primeiro movimento em torno da primeira esfera, representa a primeira rotação ou Padrão da Gênese (os seis dias da criação da Bíblia), ilustrados no quadro de Anarion Macintosh.
Se pegarmos no padrão da Gênese, a primeira forma tridimensional que conseguimos extrair é conhecida como um Tórus (figura 5) , esta forma é obtida a partir da rotação da Semente da vida em torno do seu eixo central (último desenho da figura representa o Tórus visto de cima em duas dimensões).
Foi o matemático Arthur Young que descobriu que esta forma geométrica tem sete regiões conectadas, todas do mesmo tamanho (figura 6), o Tórus representa a forma geométrica base da existência, está presente em todos os planetas, estrelas, galáxias.
O nosso planeta é um Tórus com dois pólos magnéticos em comunicação (primeiro desenho com o eixo central e os polos) o que permite as precessões dos equinócios (ponto zero).
O Tórus está também presente no corpo humano (como por exemplo o nosso coração que tem sete músculos e sete câmaras formando um Toroidal bombeando sangue para suas sete regiões) e pode ser encontrado em todas as formas de vida existentes.
Se efetuarmos uma segunda rotação (figura 6 a) em torno da Semente da vida , obedecendo às mesmas regras da primeira, vamos chegar a uma segunda figura tridimensional conhecida como o Ovo da vida.
O Ovo da vida representa a estrutura morfogenética (logo após a fecundação do óvulo, ele começa a se subdividir e em dado momento apresenta essa Formação do Ovo da vida (figura 7), em oito esferas aglomeradas) a partir do qual o nosso corpo foi criado. A nossa existência física depende desta estrutura, desde a cor dos nossos olhos ao formato do nosso nariz….....

Uma forma que também é revelada neste segundo Vortex (rotação) é a Árvore da vida (figura 8) que contém dez círculos que representam os Sefirotes (esferas em Hebraico) na Cabala, 10 aspectos da personalidade sintetizados no Adão Kadmon, o Homem Celeste, Logos. Representa o caminho para iluminação espiritual e um mapa do Universo e da Psique.
Com uma terceira rotação obtemos um padrão determinante na formação da realidade física.Quando olhamos de forma atenta para a Flor da vida (figura 9) vemos 19 círculos inscritos em dois círculos concêntricos, imagem essa encontrada um pouco por todo o mundo nas várias civilizações, a questão é por que parar nos 19 círculos ?
Isto se deve à descoberta do próximo componente que era de extrema importância, por essa mesma razão mantiveram-no em segredo. Esse conhecimento era considerado tão sagrado que decidiram não trazê-lo a público, codificando-o.
Se olharmos bem para a Flor da vida nos deparamos com a existência de vários círculos incompletos na periferia (esferas). Tudo o que era preciso era completar estes círculos (técnica antiga para codificar o conhecimento). Se efetuarmos uma quarta rotação torna-se fácil de perceber o padrão misterioso, o Fruto da vida:
Este padrão de treze círculos é uma das formas mais sagradas em toda a existência material. Na Terra é chamada de Fruto da vida (figura 10). O Tórus, o Ovo da vida e o Fruto da vida são os três padrões que nos permitem construir tudo aquilo que conhecemos como realidade tridimensional sem exceção, em todo o universo.
Eis a origem do por que o número treze é sagrado em todas as culturas antigas de nossa civilização. Vivemos em um universo multidimensional que existe em treze diferentes níveis de consciência. Eis a razão do porque de um mestre e doze discípulos.
O cubo de Metatron representa um de treze sistemas universais de informação contidos no Fruto da vida, nas linhas do Cubo de Metatron podemos facilmente encontrar os conhecidos sólidos platônicos, os tijolos básicos construtores da nossa realidade física da terceira dimensão (figura 11, acima).
O cubo de Metatron demonstra-nos a verdade milenar de que toda a vida emerge, surge da mesma origem, do mesmo centro, da energia única, do Criador primordial.
Figura 12, abaixo – Os cinco sólidos platônicos e os cinco elementos, o cubo (Terra) , dodecaedro (O Aether, o elemento primário universal que dá origem a todos os demais e ao Universo “físico”), icosaedro (Água ), octaedro (Ar), a estrela com dois tetraedros superpostos (a Merkabah) e o tetraedro (Fogo).
Foi durante a sua permanência no Egito que Platão afirmou ter recebido conhecimento sagrado (em iniciações) no e do interior das Pirâmides, através dos sacerdotes egípcios. Os cinco sólidos mais tarde apelidados de Platônicos representam na Alquimia os cinco elementos dos quais a nossa realidade material universal é composta.
Esfera – Vácuo; Tetraedro – Fogo; Cubo – Terra; Octaedro – Ar; Icosaedro – Água e por fim o Dodecaedro – O Aether, (o Akasha) o elemento primário universal INVISÍVEL que dá origem a todos os demais elementos, aos Universos e ao cosmos inteiro.
“Isto não é apenas matemática, círculos ou geometria. Isto é o mapa vivo de toda a criação da nossa realidade.” Drunvalo Melchizedek. (Publicado originalmente em Abril 2013)