domingo, 20 de janeiro de 2019

TUDO É ENERGIA


"O átomo tem 99,9999% de energia e 0,0000% de matéria.
Nós somos feitos de átomos, por isso somos feitos de energia.
E a energia emite ondas. As ondas vibram. A frequência a que cada onda vibra - a quantidade de vezes que a onda vibra - é denominada de frequência vibratória.
Quanto menor a frequência vibratória, isto é, quanto menos uma onda vibrar, menos energia produz e mais densa é. Quanto maior a frequência vibratória, isto é, quanto mais vezes a onda vibrar, mais energia produz, menos densa é, mais alta é. E quando as ondas produzem energia, elas produzem luz. Consequentemente, quanto mais alta a vibração do nosso campo magnético, da nossa dimensão energética, mais luz produzimos, como seres de Luz que somos.
E quais são as "coisas" que ativam uma altíssima frequência vibratória? Antes de tudo, o amor. Sentir o amor. Depois, sentir a gratidão. Todas essas emoções mais altas, mais nobres, promovem uma altíssima frequência vibratória. E como a vida é um eco, se nós vibramos muito alto, nós emanamos energia alta, leve, subtil, consequentemente vamos atrair situações com a mesma frequência vibratória.
É curioso notar que as pessoas conflituosas estão sempre a brigar com alguém, porque a frequência vibratória delas precisa de se alimentar de conflito. Uma altíssima frequência vibratória precisa de se alimentar de amor, por isso não consegue estar em lugares, ou junto de pessoas, que não tenham uma frequência vibratória semelhante.
Uma das formas de mantermos a nossa frequência vibratória alta é, como aprendi um dia:
- Rejeitar a violência em qualquer uma de suas formas.
Às vezes o conflito é-nos apresentado de uma forma extremamente subtil, mas se estivermos sempre a trabalhar a nossa energia, se estivermos sempre a protegê-la, através de pensamentos mais altos, ações mais altas, vamos sentir -nos estranhos perante essa energia de conflito. A densidade não escapa ao detetor energético mais alto.
Tudo o que temos que fazer é rejeitar o conflito dentro de nós, e afastarmo-nos de pessoas que insistam em propor conflito. Qualquer tipo de conflito. Essa é uma forma incrível de manter uma frequência vibratória alta. E quanto mais alta a nossa frequência vibratória, maior o nosso canal, maior a nossa Conexão e mais alto conseguimos subir, para nos encontrarmos com a energia mais alta do Céu.
Sempre à procura da Grande Luz."
Alexandra Solnado
Fonte:mensagemdeluz@alexandrasolnado.com

sábado, 5 de janeiro de 2019

Consciência de Deus - Logos Universal


Deus - Consciência Universal


Quando você compreender o "conceito" o significado Universal da 
 essência de "Deus" em todas as suas manifestações - a "sua" consciência expande. Você cresce e se integra a Unidade como espelho do Criador. 
Você começa a respirar com a Unidade.
Eu Sou UM-a só consciência. Postado por Dharma Dhannya


"DEUS"

– Você crê na existência de Deus?
– Talvez não dum Deus a que você se refere.
– Que é que você entende por Deus?

– Por Deus entendo a Realidade absoluta, eterna, infinita, universal, a Causa-prima de todas as coisas;

- a Consciência Cósmica; a Alma do Universo;
ou, no dizer de Einstein, a grande Lei que estabeleceu e mantém a harmonia do Universo.

 O que admito é a Vida Universal, que em todos os seres vivos se reflete como vida individual.

 Estou com Paulo de Tarso, que disse aos filósofos de Atenas: “Deus é aquele Ser no qual vivemos, nos movemos e temos a nossa existência”.

– Quer dizer que você não admite um Deus pessoal?
– Se por “pessoal” você entende um Deus “individual”, limitado, finito, é claro que não admito semelhante pseudo-deus, porque seria a negação radical do Deus verdadeiro, que não tem limitação no tempo e no espaço.

– Você tem certeza da existência desse Deus universal?
– Certeza absoluta, embora a palavra “existência” não seja muito exata. Deus não “existe”, Deus “é”.

 Existir, em sentido próprio, só se pode dizer de creaturas individuais, finitas, limitadas, Existir (de ex-sistir, de ser colocado fora) só se diz de um efeito, mas não da Causa;

aquele ex-siste é “colocado fora” ou produzido; a Causa, porém, siste ou simplesmente É. Deus, o Universal, é – nós, os individuais, existimos.

– Quer dizer que você pode provar a realidade de Deus?
– Provar, não; ter certeza, sim.
– Como? Se não a pode provar, donde lhe vem a certeza da realidade de Deus? A certeza não vem das provas?

– Nas coisas objetivas, individuais, a chamada certeza vem das provas, como todo cientista sabe; mas, não sendo Deus um objeto ou indivíduo, a certeza que dele temos não pode vir das provas científicas, analíticas.
– Donde lhe vem, pois, essa certeza?


– Brota das profundezas da experiência íntima. É o resultado de uma intuição espiritual, que não pode ser explicada a quem não a teve.

 Quem nunca teve amor ou alegria nunca saberá o que essas coisas são, por mais que alguém lhas defina e descreva e analise teoricamente.




 Quem nunca viveu a Deus nas profundezas do seu ser central, esse não tem certeza da sua realidade, por mais que estude e analise os chamados argumentos pela existência de Deus.

Esses argumentos servem apenas para remover obstáculos, abrir caminho, desobstruir canais – mas nenhum deles pode dar certeza real e cabal sobre Deus.

 Para que essa certeza brote das divinas profundezas da alma humana deve o homem levar uma vida ética compatível com a santidade de Deus e deve também abismar-se, de vez em quando, num profundo silêncio, a sós com sua alma.

 Então ouvirá os “ditos indizíveis”, de que fala Paulo de Tarso, quando foi arrebatado ao “terceiro céu”.

Quem admite um Deus pessoal cientificamente provado, é ateu – e quem adora esse Deus demonstrado é idólatra.
– Você crê que há três pessoas em Deus?
– Se não há em Deus nenhuma pessoa, como é que haveria três?

– Mas a teologia fala de três pessoas, da Santíssima Trindade...
– Talvez para sua grande surpresa, lhe devo dizer que a trindade divina não é admitida apenas pela teologia cristã; todas as grandes filosofias da antiguidade reconhecem em Deus três pessoas.

– Então?
– Resta saber o que essas filosofias entendem por “pessoa” ou persona. A palavra latina persona, de que fizemos “pessoa”, quer dizer literalmente “máscara”. 

Persona vem de per-sonare (soar, falar através), e significa aquela máscara ou fantasia que o ator, no tempo do Império Romano, adaptava ao rosto, quando representava no palco, e através de cuja boca aberta falava.


Terminada a peça teatral, o ator tirava a persona, e, em outro drama, aparecia com outra persona. A persona ou pessoa significava, pois, a função, o papel do ator, mas não era a sua verdadeira natureza.

Deste modo, o Deus Universal se revela em diversas personas ou funções; e as funções fundamentais são três: a função ou persona do pai, do filho e do espírito universal (santo quer dizer universal).

 Na filosofia oriental, Brahman, o Deus Universal, funciona, no mundo individual, como Brahma (pai), Vishnu (filho) e Shiva (espírito universal); ele é o início (pai), a continuação (filho) e a consumação (espírito) de todas as coisas.

– Mas Jesus não fala de três indivíduos distintos, quando se refere à trindade?
– Jesus se serve de linguagem simbólica. Mas não deixa de afirmar “Eu e o Pai somos um”.

 “O Espírito Santo tomará do que é meu e vô-lo anunciará”. “O Espírito da Verdade ficará convosco para sempre – eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Tomás de Aquino, filósofo e teólogo, escreveu volumes repletos de erudição. Pelo fim da vida, ele teve uma visão da Verdade – e nunca mais escreveu um livro erudito.

Perguntado pelo motivo dessa renúncia, o grande teólogo respondeu: “Tudo que escrevi é palha”.

Tomás de Aquino chama “palha”, sobretudo, os cinco argumentos eruditos com que ele tentara demonstrar, cientificamente, a existência de Deus.

Ninguém pode demonstrar ou provar analiticamente, intelectualmente, a realidade de Deus; mas pode ter plena certeza disto por meio de uma intuição espiritual, que é racional, mas não intelectual.

Einstein afirma até que as leis fundamentais não podem ser conhecidas por análise lógica, mas somente por intuição. E acrescenta: “A certeza intuitiva não pode ser alcançada por análise intelectual”. 



CRISTO
Quem é ele?
É Filho de Deus?
É Deus mesmo?

Há quase dois milênios que se repetem e discutem estas perguntas.

Exigiu-se  a morte do Nazareno pelo fato de se “ter tornado Deus”.
Um dia, perguntou Jesus aos chefes espirituais de Israel: “Que vos parece do Cristo? Quem é ele?”
Ao que eles responderam prontamente: “É filho de Davi”.

Jesus, porém, lhes faz uma contra pergunta que equivale a uma negação da resposta dos teólogos judeus: “Se o Cristo é filho de Davi, como é que o próprio Davi, em espírito (profético), lhe chama seu Senhor?”

E não houve quem lhe soubesse dar resposta.
E os teólogos cristãos dos nossos dias continuam devendo a resposta de seus colegas judeus, há quase dois milênios.


E em outra ocasião disse Jesus: “Abraão desejou ver o meu dia, viu-o, e exultou em espírito”.
Ao que os chefes de Israel replicam: “Como? Tu viste Abraão, e não tens ainda quarenta anos?”... E procuraram apedrejá-lo como blasfemo.

Responde-lhes Jesus: “Antes que Abraão fosse feito, eu sou”.
Quem é esse “eu”? Certamente não Jesus de Nazaré, que nasceu milênios depois de Abraão.

Na última ceia profere Jesus estas palavras: “Pai! É chegada a hora! Glorifica-me agora com aquela glória que eu tinha em ti, antes que o mundo existisse!”

Quem tinha essa glória em Deus, antes da creação do mundo? Certamente não Jesus de Nazaré, mas sim o Cristo anterior à encarnação, o Cristo Cósmico, pré-telúrico, pré-humano.

Aliás, todos os videntes inspirados confirmam esta verdade.

João, logo no início do seu Evangelho diz que: “no princípio, era o Verbo, e que o Verbo estava com Deus... que todas as coisas foram feitas por ele... e o Verbo se fez carne e fez habitáculo em nós...” Logo, antes de se fazer carne através de Maria, já havia o Verbo, o Logos, o Cristo Cósmico.

E Paulo de Tarso fala aos colossenses do “primogênito de todas as criaturas”, o Logos-Cristo, pelo qual, no qual e para o qual foram criadas todas as coisas, no Universo visível e invisível.

E aos cristãos de Filipes escreve que o Cristo Cósmico, que subsistia na forma de Deus, se despojou dos esplendores da divindade, isto é, da forma gloriosa do Cristo-Luz, e assumiu a forma humilde de um homem, de um servo, de uma vítima, de crucificado.

Segundo todos os livros sacros da humanidade, há uma creatura primeva e primeira; há uma forma individual do Espírito Universal, forma acima e anterior a todas as outras formas existenciais da divina Essência.

                                          

 Esse “primogênito de todas as criaturas”, esse “Adi-Atman” é o Verbo, o Cristo Cósmico, que, aqui na Terra, se tornou visível na pessoa de Jesus de Nazaré, e, possivelmente em outras formas.

Para nós, é o Cristo, isto é, Ungido, permeado pelo espírito de Deus ao ponto de resultar a mais perfeita das creaturas, ele, “no qual habita individualmente toda a plenitude da Divindade”.

O Cristo, o Logos, o Verbo é a mais antiga e mais perfeita individuação ou entidade cósmica que emanou da Divindade Universal.
Esta emanação individual é chamada “filho de Deus” 
 Pesquisado por Dharmadhannyael


http://dharmadhannyael.blogspot.com.br/

domingo, 30 de dezembro de 2018

A CORAGEM DE SER CONSCIENTE




Mensagem de Julie Redstone
5 de Julho de 2018

Nós prestamos atenção seletivamente a coisas diferentes ao longo de cada dia, e para onde nossa atenção vai, assim também nosso senso da realidade em que vivemos. O pensamento não é apenas um estado interno. É também um ambiente em que vivemos, definindo nosso senso de realidade. Se nos concentramos em problemas com os quais nos deparamos com um sentimento de ansiedade ou pressentimento, então o meio ambiente em que vivemos conterá essa ansiedade e a refletirá de volta para nós. Se escolhermos estar conscientes dos aspectos da vida que precisam do nosso amor e da nossa ajuda para curar, então a nossa realidade exterior refletirá isso de volta para nós. Iremos ver, ouvir e sentir mais oportunidades para ampliar o amor e a cura. Nós escolhemos com a nossa intenção, e cada escolha que fazemos é importante.

Hoje, nosso mundo precisa muito de nossa atenção e de nossa consciência. Estamos aqui para contribuir com a soma total das forças de mudança que levarão a um mundo mais cheio de luz, a um mundo em que o amor pode predominar sobre o medo e em que as forças para unidade e colaboração podem predominar sobre as forças que buscam separação e isolamento. Isso é verdade no nível nacional e global. Também é verdade para nós individualmente.


No entanto, a fim de estarmos conscientes da maneira expandida que estar ciente dos outros envolve, e especialmente de estarmos cientes do sofrimento dos outros, devemos criar um espaço interno para que isso aconteça. Devemos escolhê-lo e, quando a escolha envolve a comunicação com os outros, precisamos ter a coragem de dizer o que mais profundamente acreditamos ser verdadeiro, mesmo diante daqueles que podem discordar de nós. Essa coragem nasce do nosso compromisso de sermos uma força para o bem no mundo, não apenas para desejarmos que o mundo reflita o bem, mas para participarmos, ajudando a mover o mundo em direção a essa bondade.

Nós somos bem intencionados. Desejamos um mundo mais pacífico e amoroso. No entanto, algo nos impede de reconhecer nosso próprio potencial como agentes de mudança, não apenas através da atividade externa, mas através de nossa própria consciência. Toda consciência afeta todos os outros. Toda consciência afeta as pessoas ao seu redor, mais ainda quando o conteúdo verbal é também comunicado e compartilhado. Esta é uma visão da mudança que é fundamental para nos capacitarmos a nos tornarmos mais conscientes. Baseia-se na crença de que: nós somos importantes.

Nós importamos. Tudo o que fazemos importa. Não existe tal coisa como ser neutro em um mundo em que tudo e todos estão interagindo. Nossa indiferença, inconsciência, negligência, dormência, sonolência e evitação são todos comunicados como energias que se irradiam de nós, se expressamos palavras para esse efeito ou não. Nós importamos. Somos transparentes à rede da vida da qual fazemos parte.

Hoje, em particular, à medida que as forças de separação, isolamento, polarização e medo de um grupo em relação ao outro se fortalecem, importa mais do que nunca que tenhamos a coragem de sermos conscientes e a coragem de permanecermos alinhados com os valores da bondade. e amor que nós mantemos. Pois, de tudo o que podemos estar conscientes, o que está sendo substituído pelo medo e pela falta de esperança é a consciência da importância do amor que afeta nossa vida individual e coletiva. Em seu lugar, a desconfiança, a inimizade e o desejo de simplesmente cuidar de nós mesmos e deixar que os outros façam o mesmo estão sendo levados adiante.

Nesse meio, é mais importante do que nunca que defendamos conscientemente a luz que neutraliza essas forças, e que nos importemos com aqueles que estão sofrendo, quer os conheçamos ou não. É o momento, amados, que cada um de nós permaneça firme na luz de nossa própria verdade mais profunda, e não darmos poder às forças da dúvida que nos dizem que não nos importamos ou que não temos o amor suficiente para fazer uma diferença.

O amor está no centro do nosso ser, sintamos isto ou não. Estar com aqueles que estão sofrendo, hoje, é um ato de amor e faz parte do movimento de expansão da luz que está ocorrendo atualmente. Acredite na verdade que seu coração carrega. Leve-a adiante para aqueles que você encontrar durante o dia, sem pedir que retribuam. Você é uma luz ardente de consciência, amado, e em suas mãos e nas mãos do Divino está o destino do mundo.

Com as mais profundas bênçãos e gratidão

Julie e aqueles que servem à Luz.
Julie Redstone

Fonte: http://lightomega.org/ 

Traduzido por: Regina Drumond Chichorro – reginamadrumond@yahoo.com.br



sábado, 17 de novembro de 2018

A MEDICINA DA BORBOLETA


Canção Estrelada, o xamã que tinha o dom de transmitir a sabedoria do seu povo através das histórias e das músicas, tinha vindo me visitar no Rio de Janeiro. Tínhamos feito uma trilha pela Floresta da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do planeta. Localizada em uma montanha, de lá é possível avistar diversos bairros da cidade, alguns à beira do mar. Éramos um pequeno grupo. Estávamos em uma clareira bem no alto; o Rio repousava aos nossos pés. No silêncio da montanha podíamos ouvir a pulsação da cidade assim como se ouve as batidas de um coração. Ficava ainda mais nítido o conceito de entender uma cidade como um ser vivo; a sua linguagem, mistérios e transformações. A conversa se estendeu. Da dificuldade que por vezes encontramos para nos adaptar a uma cidade até os problemas que temos para entender um momento existencial, onde tudo parece complicado e, algumas vezes, sem solução. Canção Estrelada, que ouvia a tudo sem dizer palavra, se intrometeu na conversa: “Tudo depende se os olhos ainda são os da lagarta ou se já pertencem à borboleta.”
O comentário instigou a curiosidade de algumas pessoas do grupo. O xamã explicou que a filosofia sobre o poder dos animais era uma herança cultural do seu povo. Acrescentou que os animais não têm consciência. Entretanto, cada espécie tem instintos e características próprias. Os diversos comportamentos formam ondas energéticas na psicoesfera do planeta. Captar e aproveitar essas vibrações para a cura da alma, como auxílio para a superação de uma dificuldade em determinados momentos da vida, fazia parte da tradição religiosa dos seus ancestrais. Tudo no universo se interliga, como as ramificações neuronais de um cérebro, explicou. Aprofundou o raciocínio: “O cérebro é a exata miniatura do universo. Portanto, cada coisa que existe no mundo nos diz respeito, pois tem conexão conosco. De algum jeito nos influencia. Nada deve ser menosprezado. Entender e aplicar isto para o bem é parte essencial da sabedoria dos meus antepassados. A cada passo que damos em direção à luz, por consequência, iluminamos todo o mundo.”
“Muitas vezes uso a medicina da borboleta para fechar um ciclo existencial ou mesmo para possibilitar que uma ideia se expanda do imaginário até a realidade.” Ao ouvir tais palavras o interesse do grupo aumentou. Canção Estrelada ampliou a explicação: “Não raro, diante de uma dificuldade, de uma situação que furtou o equilíbrio ou de um momento impensável, tudo parece desabar. Os muros se apresentam intransponíveis. Não me refiro apenas aos inevitáveis problemas da vida, falo também dos sonhos, daqueles projetos de vida que nos alegram o coração. Alguns parecem inalcançáveis por serem grandiosos. Então, nem ao menos nos permitimos a ousadia de tentar. Esforçamo-nos para esquecer e continuamos a tocar a vida. Todavia, é como se um pedaço de nós se desmanchasse.”
“É na fase da lagarta que a dificuldade aparece. Uma situação se apresenta para obstruir a viagem. Por se arrastar no chão para se locomover, para a lagarta tudo parece difícil, qualquer objetivo fica distante. Uma pequena pedra se torna como uma enorme muralha a bloquear a estrada. Uma desanimadora sensação de impotência envolve a lagarta diante da dureza do mundo. Entretanto, não se iluda em pensar que essa fase é desprovida de valor. Lembra que tudo no universo tem a sua razão de ser e existir? Que tudo se interliga e se explica? Toda dificuldade traz em si uma lição e uma ferramenta de superação. A medicina da borboleta, a depender do caso, pode se tornar esse instrumento de auxílio. Ela ensina o poder da transmutação. Transmutar é transformar a si mesmo. Para isto é preciso entender e superar todas as fases do ciclo, como em qualquer processo evolutivo.”
“Em um primeiro momento as dificuldades se mostram aparentemente insuperáveis. Não se imagine um fraco por isto. Todos se sentem assim em inícios de ciclos; todos se sentem lagartas ao se depararem com problemas desconhecidos. Mas as dificuldades, todas elas, estão apenas na aparência. Entender e aceitar isto é pressuposto primordial para esta cura xamânica e, também, uma valiosa lição. Claro que você pode esmorecer, desistir e perecer em frente ao muro. A outra opção é se transformar para superá-lo. Ao escolher por ultrapassar o obstáculo, optamos pela evolução. Estamos prontos para iniciar o processo de transmutação. Esta é a medicina da borboleta.”
“Não existe magia para uma lagarta virar borboleta; não basta um mero desejo nem um simples estalar dos dedos. Há que se ter o firme propósito em mudar. Não mudar o obstáculo que atravanca o caminho, mas mudar a si mesmo, como maneira eficiente de superar o obstáculo e seguir em frente. Quando mudamos o olhar a vida se modifica. Repare que para a lagarta que se arrasta, uma pedra representa um enorme muro; para a borboleta que voa, um muro tem a altura de um risco de giz no chão.”
“No entanto, não se engane; nenhuma transmutação é fácil. É um exercício de vontade, uma batalha dura travada nas entranhas da lagarta. A transformação da lagarta só se inicia quando ela se aceita do exato tamanho que de fato tem; sem revoltas nem lamentos. Isto não é demérito; é sabedoria. Aceitar-se pequeno é passo essencial para o crescimento. Sem aquele não há este. A humildade é condição fundamental para a transformação. Aquele que se ilude grande não tem espaço para crescer. Afinal, só merecemos um poder quando entendemos o real valor dele. Em verdade, nunca o conquistamos antes de aprender a usá-lo com humildade e amor.”
“Essas são as premissas para a transmutação: coragem, sabedoria e amor.”
“O próximo passo é a lagarta entender que nenhum outro animal pode lhe conceder o poder das asas. Nem mesmo o leão, o rei da floresta, possui tamanho poder. O poder das asas é um legado seu, uma herança oculta em si, adormecida, à espera de ser despertada. Todo poder oferecido por alguém é ilusório e efêmero. É preciso se entender e se aceitar como uma lagarta para prosseguir. É necessário entender e aceitar o poder das asas como sendo legitimamente seu. Ou nunca as conseguirá.”
“A partir daí a lagarta segue para a etapa seguinte: o casulo. É a fase dos estudos, da introspecção e do encontro consigo mesmo; do conhecimento, da quietude, da solidão e do descobrimento. Dos livros, da meditação, de colocar o ego para dialogar com a alma. O casulo é o fechamento em si, é o mergulho na escuridão do ser para encontrar as próprias asas. É a descoberta de tudo aquilo que você pode se tornar, do poder oculto que habita em cada um de nós. Sem exceção. Este poder é representado pelas asas, símbolo da liberdade. Libertar-se dos medos que oprimem, das sombras que iludem, da ignorância que engana, dos conflitos que desorientam, das fraquezas que proíbem. É a cura dos sofrimentos que tanto incomodam naquele instante da existência. Por isto o meu povo denomina esse processo como medicina. As asas estão lá, dentro da lagarta, mas não acredite que seja como entrar no mercado e pegar um produto exposto na prateleira. Será preciso fazê-las germinar nas próprias entranhas. Nesta fase, a do casulo, a lagarta vai tornar a precisar daquelas três virtudes citadas: coragem, sabedoria e amor. Coragem para encontrar consigo na escuridão do ser; sabedoria para se conhecer por inteiro; amor para realizar a reforma estrutural no pensar e no viver.”
“Para encontrar as asas é preciso deixar de raciocinar como lagarta e passar a pensar como borboleta. Para que as asas cresçam é indispensável não querer mais viver como uma lagarta e estar disposto a viver como uma borboleta. Não é tão fácil como parece. Uma borboleta não é apenas uma lagarta com asas. Trata-se de outro ser, completamente diferente, pois, vê e age diferente. Acredite, não é fácil. Porém, é lindo.”
“Então, chega o momento da magia, a hora de voltar à luz. Para tanto será necessário romper a casca do casulo. Como a borboleta faz para rasgar a casca? Ela usa as asas. O casulo é sólido, suas fibras são duras e opõe uma enorme resistência à borboleta. Mas é perfeito que seja assim para que o novo ser possa fortalecer as suas asas e a sua vontade. Nesse momento é importante que a borboleta rompa a casca sozinha, sem ajuda externa, para que as suas asas não restem fracas nem que haja dúvida quanto ao próprio poder. Somente as asas fortes e crescidas, capazes de rasgar o casulo, poderão alçar grandes voos. É um momento solitário, contudo grandioso; é a libertação da casca, é a saída da escuridão para a luz. É o descobrimento das próprias asas, das suas forças, do seu poder.”
“Se a lagarta se negar à transformação, perecerá na tristeza da prisão das pedras ou na amargura da escuridão do casulo. Há lagartas que nunca entram no casulo; outras não conseguem sair dele. Depressão e violência são sintomas que costumam representar essas duas metáforas.”
“Ao superar essa etapa e deixar para trás o casulo, estará simbolicamente abdicando de um jeito de ser que não mais condiz com a sua nova personalidade. Não se trata de negar o passado, fonte valiosa de experiências, mas de não mais permitir que situações de outrora sejam obstáculos para impedi-lo de prosseguir. Afinal, você agora não mais se arrasta. Você tem asas. Sem que você nada explique, as pessoas vão se surpreender contigo. Vão comentar como você está diferente. Como mudou a fala e a postura; a serenidade e as escolhas; o olhar e a alegria. Estas são as asas a que me refiro. Dirão que você parece outra pessoa. Em verdade, você se transformou em outra pessoa.”
“Repare que a lagarta não mudou o mundo; ela transformou a si. Ao se tornar borboleta o mundo se modificou para ela.”
Após alguns instantes de silêncio, todo o grupo estava encantado com as palavras de Canção Estrelada. As pessoas começaram a falar ao mesmo tempo. Comentavam da filosofia e da poesia contida na medicina xamânica da borboleta. De comum, o estranhamento que um animal tão frágil tivesse tamanho poder. O xamã corrigiu o raciocínio: “Faz parte da lição: o poder está no pequeno, no improvável. De criar o novo onde muitos acreditam não haver mais nada. Imprevisível como o voo da borboleta; criativo como as cores das suas asas. A insignificante lagarta possui um fantástico poder negado ao enorme rinoceronte. A força não está apenas no físico, mas principalmente no emocional e no mental. Não está nas condições materiais, porém na capacidade espiritual. O poder vai além da aparência; está oculto na essência. O manejo da espada é de grande importância para o guerreiro, mas, por mais preparado e habilidoso que seja, se ele for dominado pelo medo, se mentalmente se sentir fraco, não entender a razão da batalha ou não acreditar no próprio dom restará derrotado. Lembre que as pessoas que mudaram o rumo da humanidade eram fisicamente frágeis, mas com uma incomensurável força na alma. As asas falam ao poder da alma.”
“No mais, vale esclarecer que há uma cura específica disponibilizada por cada animal, aplicável a determinados momentos da vida. Existe a hora de entrar na caverna para esperar o inverno passar como ensina o urso; da proteção da matilha como faz o lobo; de ouvir o corvo, o mensageiro das outras dimensões; de sobrevoar as grandes altitudes para ter a capacidade de ver do alto como apenas a águia é capaz. Enfim, são inúmeras possibilidades, cada uma com a sua beleza, significado e cura.”
Claro que surgiram muitos questionamentos de como usar essa medicina de modo objetivo. Canção Estrelada explicou que se trata de métodos que precisam se adequar as características de cada indivíduo e às dificuldades específicas do momento. Por isso as orientações eram sempre de natureza subjetiva para que fossem adaptadas a cada caso. Pois, no fim, com ou sem orientação terapêutica, restará sempre cada um consigo próprio. “Esta é a casa da verdade, do poder e da luz”, concluiu.
Antes que alguém falasse mais alguma coisa, o xamã fez questão de acrescentar: “Ainda não terminei de explicar todo o tratamento da medicina da borboleta.” Diante de olhares surpresos, Canção Estrelada disse: “Falta a última fase do ciclo de transformação, uma etapa igualmente importante: a polinização. A razão de existir da borboleta não é somente a de voar para ultrapassar os muros. É preciso dar um sentido ao voo. A borboleta não apenas passeia nos jardins, mas voa por entre as flores compartilhando a riqueza da vida. O pólen que recebe aqui é oferecido ali. Ela oferece vida para multiplicar a vida. Assim ela altera a realidade. Então, o mundo responde em beleza.”
Apontou com o queixo a cidade que pulsava aos nossos pés e falou: “Começamos por polinizar a própria alma. Dela retiramos a melhor essência para perfumar a nossa casa. Dali partimos pelas ruas da cidade semeando as virtudes do coração. A vida nos acolhe e nos torna cidadãos. Essa é a lição da borboleta.”

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O texto acima está disponível também em áudio no site do autor:http://yoskhaz.com/pt/2018/05/17/a-medicina-da-borboleta/